segunda-feira, julho 13
E a saga continua...
Como muitos devem saber, neste momento tenho vindo de carro para o trabalho. Não tendo lugar de garagem, tenho que estacionar nas zonas exploradas pela Emel. E como qualquer um, tenho que ir retirando ao longo do dia os títulos de parquímetro para que o carro se mantenha em situação legal. Acontecem no entanto algumas excepções à regra. Num edifício em obras mesmo em frente ao meu trabalho, há sempre uma dezena de carros estacionados em cima do passeio que parecem estar acima da lei. Qualquer carro parado há mais de cinco minutos em cima do passeio fica bloqueado nesta zona. Mas os carros do senhores que trabalham nas obras não. Ainda hoje foi ver dois inspectores da Emel em conversação com os homens das obras, tendo o resultado sido nulo. Nem multas, nem bloqueamentos e os carros continuam lá estacionados. Também aqui perto, a caminho do Príncipe Real, há uma mercearia de um velhote que também passa incólume. O senhor tem a carrinha à frente do estabelecimento, com uns cartões a tapar as rodas, a dizer mercearia. E parece que funciona na perfeição. Estou a imaginar-me a colocar também uns cartões nas rodas do meu carro a dizer “funcionário ao serviço do BES”, para ver o que acontecia… Isto é uma vergonha. Tanto os homens das obras, como o senhor da mercearia, como toda a gente que leva o carro para ir trabalhar deviam ser alvo do mesmo tipo de critérios.
quinta-feira, julho 9
Good News Daily
Em conversa, um amigo de trabalho falou-me de uma ideia interessante. O conceito de um novo tipo de jornal que se chamaria Good News Daily. E esse nome dever-se-ia à abrangência das notícias que iriam preencher o jornal – teriam de ser apenas notícias positivas do que se passa um pouco por todo o lado. Imaginem de manhã ir tomar um café e apenas lerem informações animadoras sobre a economia, a sociedade, o ambiente, etc. Seria um início de manhã em grande.
Acho que seria um conceito a explorar.
Acho que seria um conceito a explorar.
sexta-feira, julho 3
Terceiro Mundismo
Não consigo perceber esta coisa das frotas de carros do governo ou das embaixadas, envolvidos em carros e motas da polícia, num frenesim a caminho dos hotéis aqui da Av. da Liberdade. Numa estrada sem trânsito, onde apenas se tem de esperar que o sinal mude para verde, lá vão eles parar o trânsito no sentido oposto para chegar mais rapidamente ao destino. O que é o mesmo que dizer que para salvaguardar que chegam a horas às conferências, atrasam todos os outros carros que são obrigados a deixá-los passar. Não sou fundamentalista ao ponto de achar que situações destas não possam existir, como na deslocação de um presidente dos Estados Unidos em Lisboa, onde há razões de segurança envolvidas. Mas como isto acontece por aqui umas 10 vezes em dia, acho que deve haver pessoas transportadas nestes carros que não correm nenhum risco iminente em relação à sua integridade física, que apenas não querem sujeitar-se ao trânsito da cidade. E isto para mim é absolutamente inaceitável. Se querem chegar cedo saem mais cedo a caminho dos locais de destino. Como aliás todos temos de fazer…
FDS
Hoje é dia de partir para a Aldeia do Trízio, localizada à beira da barragem de Castelo de Bode. Este fim-de-semana será recheado de natureza (paisagem magnífica), desporto (wakeboard), convívio (festa popular de Verão) e bronze. Até segunda!
terça-feira, junho 30
Angola, o funil de África
Já se ouvia em conversas de café há muito tempo que para iniciar projectos empresariais em Angola era preciso o apoio do presidente José Eduardo dos Santos ou familiares próximos. E é o que tem acontecido sempre que as empresas portuguesas tentam entrar no mercado angolano. Mas se dantes a coisa era relativamente abafada e escondida, agora é tudo feito às claras. É notícia diária de jornais.
Aqui podem ver no portal das empresas do Governo de Angola as ligações da filha de José Eduardo dos Santos às empresas portuguesas.
A mim o que me perturba não é a iniciativa empresarial da família Santos, mas apenas a sua “capacidade” de entrar no capital de qualquer empresa portuguesa que queira investir em Angola. Faz-me lembrar com demasiada semelhança as máfias que existiam em Nova Iorque e as máfias que ainda existem em Itália, há pouco tempo retratadas em filme. Acho verdadeiramente terceiro mundista que esta situação não seja comentada na nossa comunicação social. Porque se está na moda uma empresa ambientalmente responsável (que é agora a nova moda nas empresas) acho que não deveria ter passado de moda a responsabilidade social que qualquer empresa deve ter para com o povo angolano.
Aqui podem ver no portal das empresas do Governo de Angola as ligações da filha de José Eduardo dos Santos às empresas portuguesas.
A mim o que me perturba não é a iniciativa empresarial da família Santos, mas apenas a sua “capacidade” de entrar no capital de qualquer empresa portuguesa que queira investir em Angola. Faz-me lembrar com demasiada semelhança as máfias que existiam em Nova Iorque e as máfias que ainda existem em Itália, há pouco tempo retratadas em filme. Acho verdadeiramente terceiro mundista que esta situação não seja comentada na nossa comunicação social. Porque se está na moda uma empresa ambientalmente responsável (que é agora a nova moda nas empresas) acho que não deveria ter passado de moda a responsabilidade social que qualquer empresa deve ter para com o povo angolano.
quinta-feira, junho 25
E agora já num estado de maior libertação mental!
Já tenho cartão MB, daqui a meia hora já tenho o pedido de cartão de cidadão tratado. Já fui buscar as análises. Já fui ao médico. Já marquei restaurante e realizei o bendito jantar. Ainda faltam as restantes coisas, mas já estou a ver a situação menos nebulosa! :)
quarta-feira, junho 24
Temas a mais para tratar provocam lentidão mental…
É neste estado em que eu estou! Roubaram-me a carteira há uns dias. Cancelei os cartões. Agora tenho que tratar de renovar cartões. Tenho que ir à loja do cidadão. Tenho também que ir ao médico. Tenho que ir buscar as análises. Tenho que marcar mais uma consulta. Tenho que devolver o dinheiro a quem me emprestou. Tenho que marcar restaurante para o meu jantar de anos com pais e irmãs. Tenho que decidir se vou ou não para a Areia Branca este fim-de-semana. Tenho que mandar mensagens que estão em falta. Tenho de comprar roupa para o trabalho. Tenho que azucrinar a cabeça à minha Lenka que não põe lá os pés à semana e meia. E por isso, ainda nem comecei a pensar nas próximas férias...
segunda-feira, junho 22
domingo, junho 21
quinta-feira, junho 18
Já chega...
Estava eu a caminho do meu reparador almoço em casa, depois de uma manhã de trabalho, e apanho pelo caminho mais uma manifestação de professores. Sem querer parecer reaccionário, já não tenho muita paciência para esta gente. Já não vou à questão das avaliações, que acho perfeitamente razoável. Nem vou entrar por aí. Nem sequer está aí a questão. O que esta gente tem que perceber é que trabalha para o Estado. E quem manda no Estado é o Governo. E este é eleito por todos nós. Por isso, o Estado funciona como nós achamos que deve funcionar. E quem trabalha para o Estado tem mais é que acarretar aquilo que o Estado determina. Estão insatisfeitos, procurem emprego noutro lado. Ah, e tal, os colégios também não oferecem boas condições… Então, vão trabalhar fora do sector do ensino. Eu também estou a trabalhar numa área em que não me formei. E conheço muitos amigos meus nesta situação. Ninguém está a obrigar os professores a trabalhar nem mais nem menos. Eles têm sempre a opção de mudar de emprego. Isto irrita-me sobejamente. Acho que é preciso muita lata para me interromperem a estrada no caminho para minha casa. E como dizia o meu avô, vão mas é cavar batatas.
segunda-feira, junho 15
Back to Business
Regresso ao trabalho. Regresso à rotina. Esperemos que a uma nova rotina. Mais sensata. Mais equilibrada. Vamos lá ver o que sai na rifa desta vez...
quinta-feira, maio 21
terça-feira, maio 19
Escrever em bom português!
Hoje ficou mais uma dúvida esclarecida relativamente à língua portuguesa. Por vezes faço um pouco de escrutínio às minhas próprias expressões para avaliar se são correctas. Estava na conversa e saiu-me qualquer coisa como: “A culpa não é de ninguém”. Ao que se seguia a minha dúvida: se a culpa não é de ninguém, então é porque naturalmente deveria ser de alguém. Estava perante um caso de negação da negação, como na matemática, em que dois sinais negativos produziriam um resultado positivo. Mas a língua portuguesa é bastante mais rebuscada do que a matemática (ainda que boa parte dos portugueses ache o contrário sem que eu perceba porquê…).
Estabelecida a dúvida, estava na altura de a googlar, e o resultado está transcrito abaixo:
[Pergunta Resposta]
Dupla negativa, mais uma vez
[Pergunta] Tenho uma expressão curiosa que me tem afligido durante uns tempos e que é repetida vezes sem conta por todo o lado. Por exemplo, tenham em atenção as seguintes expressões:
«Não vem nenhum...»
«Não há nada...»
«Não fiz nada...»
Ora, estas expressões, tão vulgarizadas, querem dizer exactamente o oposto para o qual são usadas!
Ou seja, são negações de negações:
«Não vem nenhum» = dizer que vêm todos!
«Não há nada» = que existe tudo!
«Não fiz nada» = que fiz tudo!
As expressões correctas deveriam ser, por exemplo:
«Não vem algum» ou «Não fiz algum» ou «Não fiz tudo».
O que têm para me dizer acerca disto?
Muito obrigado pela vossa atenção!
Ricardo Pereira :: :: Lisboa, Portugal
[Resposta]
Em textos antigos em língua portuguesa, vemos que as duplas negativas eram muito frequ[ü]entes. A segunda negativa servia como reforço da primeira.
A(c)tualmente, em certas ocorrências, a repetição de negativas está fora de uso, mas em outras ocorrências a dupla negação mantém-se.
Quando o advérbio não surge em primeiro lugar, podem surgir pronomes indefinidos com sentido negativo em segundo lugar. Exemplos: «Não vejo nada», «Amigos, não vi nenhum», «Não quero cá ninguém», etc.
Se o pronome indefinido com sentido negativo surgir no início da frase, não se usa o advérbio não. Exemplos: «Ninguém te viu», «Nada me interessa», «Nenhum (erro) te escapa», etc.
A. Tavares Louro :: 03/07/2007
Estabelecida a dúvida, estava na altura de a googlar, e o resultado está transcrito abaixo:
[Pergunta Resposta]
Dupla negativa, mais uma vez
[Pergunta] Tenho uma expressão curiosa que me tem afligido durante uns tempos e que é repetida vezes sem conta por todo o lado. Por exemplo, tenham em atenção as seguintes expressões:
«Não vem nenhum...»
«Não há nada...»
«Não fiz nada...»
Ora, estas expressões, tão vulgarizadas, querem dizer exactamente o oposto para o qual são usadas!
Ou seja, são negações de negações:
«Não vem nenhum» = dizer que vêm todos!
«Não há nada» = que existe tudo!
«Não fiz nada» = que fiz tudo!
As expressões correctas deveriam ser, por exemplo:
«Não vem algum» ou «Não fiz algum» ou «Não fiz tudo».
O que têm para me dizer acerca disto?
Muito obrigado pela vossa atenção!
Ricardo Pereira :: :: Lisboa, Portugal
[Resposta]
Em textos antigos em língua portuguesa, vemos que as duplas negativas eram muito frequ[ü]entes. A segunda negativa servia como reforço da primeira.
A(c)tualmente, em certas ocorrências, a repetição de negativas está fora de uso, mas em outras ocorrências a dupla negação mantém-se.
Quando o advérbio não surge em primeiro lugar, podem surgir pronomes indefinidos com sentido negativo em segundo lugar. Exemplos: «Não vejo nada», «Amigos, não vi nenhum», «Não quero cá ninguém», etc.
Se o pronome indefinido com sentido negativo surgir no início da frase, não se usa o advérbio não. Exemplos: «Ninguém te viu», «Nada me interessa», «Nenhum (erro) te escapa», etc.
A. Tavares Louro :: 03/07/2007
quinta-feira, maio 14
Preciso mesmo de parar de trabalhar!
Chego à conclusão que estou mesmo a precisar de férias. Estou frito que nem uma batata frita, lento como uma lesma, sonolento como o preguiça… E mais analogias ficam por fazer, mas devido ao fenómeno lesma não me vou conseguir adiantar!
quarta-feira, maio 13
Espero ir ao engano...
aa


A vida tem destas coisas. Estava eu há já bastante tempo de férias marcadas para a Riviera Maya no México, quando aparece a famosa gripe suína e a viagem tem de ser cancelada. A agência sugere entretanto a República Dominicana e alguns de nós já lá tínhamos estado. E então a alternativa encontrada foi Varadero, em Cuba. Quem me conhece sabe que eu tenho exactamente 2 destinos de férias com os quais embirro em particular: o Brasil e Cuba. Exactamente... Cuba. Mas com expectativas tão baixas que tenho em relação ao destino, pode ser que venha surpreendido…
terça-feira, maio 5
Já sou um potencial dador de medula óssea
Pois é, hoje veio uma equipa ao meu emprego para saber se alguém estava interessado em ser dador de medula óssea. Eu e mais alguns colegas fomos fazer uma rápida recolha de sangue e a partir de agora temos a grande vantagem de um dia poder salvar a vida a alguém! Pode haver sensação melhor?!? Mais informações em: http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/informacoes+uteis/doacao+de+orgaos+e+transplantes/medulaossea.htm
segunda-feira, maio 4
Diz-me como falas, que eu digo-te com quem andas.
A comunicação é a forma possível de conhecermos alguém. Isto numa lógica de estabelecer um grupo de amigos [e não numa lógica de uma one night stand, que isso geralmente, não obriga a grandes verborreias verbais].
E porque a comunicação é essencial, existem conversas que só podem ser tidas com alguém que domina a nossa linguagem. E isso, por último, define as nossas amizades.
Existem os chamados tiques de linguagem que ajudam a aproximar os grupos sociais, e que servem quase como um distintivo diferenciador de outros grupos, onde populam expressões como “imeeeenso”, “horrível” e outras que tais. Mas estas em particular, não são aquelas que eu queria falar.
O que eu quero falar é dos grupos que são possíveis de estabelecer pela simples razão de que cada indivíduo tem um maior ou menor número de palavras e expressões que conhece. E isso é muito variável. Sem qualquer tipo de intenção de generalizar, os jogadores de futebol, de uma forma geral, têm um dicionário bastante reduzido, e as frases costumam ser muito pouco elaboradas. Do género – “Comigo ou sem-migo, o Porto vai ser campeão”. E a falta de palavras leva inevitavelmente a raciocínios menos elaborados, porque os conceitos que estão associados às palavras pura e simplesmente não existem. E desta forma, fica condicionada à partida todo um espectro de pensamento que pessoas com um dicionário mas alargado podem ter.
E o mais curioso desta evidência, é que quanto mais alargado é o dicionário de cada pessoa, maior é o grupo de amigos que pode estabelecer. É sempre possível baixar a fasquia para que os demais percebam aquilo que quer expressar.
O inverso é que pode já não ser verdade, ou seja, uma pessoa com um dicionário mais reduzido dificilmente compreenderá muitas das conversas que são tidas entre pessoas com um dicionário mais alargado.
E porque a comunicação é essencial, existem conversas que só podem ser tidas com alguém que domina a nossa linguagem. E isso, por último, define as nossas amizades.
Existem os chamados tiques de linguagem que ajudam a aproximar os grupos sociais, e que servem quase como um distintivo diferenciador de outros grupos, onde populam expressões como “imeeeenso”, “horrível” e outras que tais. Mas estas em particular, não são aquelas que eu queria falar.
O que eu quero falar é dos grupos que são possíveis de estabelecer pela simples razão de que cada indivíduo tem um maior ou menor número de palavras e expressões que conhece. E isso é muito variável. Sem qualquer tipo de intenção de generalizar, os jogadores de futebol, de uma forma geral, têm um dicionário bastante reduzido, e as frases costumam ser muito pouco elaboradas. Do género – “Comigo ou sem-migo, o Porto vai ser campeão”. E a falta de palavras leva inevitavelmente a raciocínios menos elaborados, porque os conceitos que estão associados às palavras pura e simplesmente não existem. E desta forma, fica condicionada à partida todo um espectro de pensamento que pessoas com um dicionário mas alargado podem ter.
E o mais curioso desta evidência, é que quanto mais alargado é o dicionário de cada pessoa, maior é o grupo de amigos que pode estabelecer. É sempre possível baixar a fasquia para que os demais percebam aquilo que quer expressar.
O inverso é que pode já não ser verdade, ou seja, uma pessoa com um dicionário mais reduzido dificilmente compreenderá muitas das conversas que são tidas entre pessoas com um dicionário mais alargado.
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