quarta-feira, abril 22

O Pombal da Avenida da Liverdade

Há aqui perto do meu trabalho um conjunto de sem abrigo considerável, que costumam deambular aqui pela Av. da Liberdade, para cima e para baixo, sem destino ou ocupação. Daqueles que quando uma pessoa vê se afasta sempre que pode, porque eles fedem e muitas vezes já não são deste Mundo, tendo diálogos permanentes consigo próprios, com uma convicção que arrepia qualquer um. E são também estes senhores e senhoras, que amiúde, se entretêm a alimentar os pombos com pão, milho ou arroz. E ali ficam curiosos a ver a bicharada a alimentar-se. Devem ser os poucos seres vivos que vêm exactamente na sua direcção e no final nunca atalham caminho. Estão mesmo aliás de olho nestes sem abrigo à espera de uma porção de comida. E estes senhores parecem retirar destes actos uma grande alegria, pois os seus olhos ficam vibrantes com o espectáculo.

Mulheres, relaxem!

No meu percurso diário para o trabalho, costumo passar pela Basílica da Estrela, contorno o Jardim da Estrela e chego à rotunda ao pé de uns infantários que depois dá acesso ao Rato. Como de manhã às horas que passo há sempre pais a deixar os seus filhos nas escolas, acontece sempre uma das faixas de rodagem estar ocupada por carros parados. E naturalmente, existe uma espécie de acordo tácito de que nessa altura, acaba por se deixar passar um carro de cada vez, de forma a que o trânsito continue a fluir normalmente. Toda a gente sabe que um dos principais problemas dos engarrafamentos é aquele jogo do “ver quem é que consegue lixar o outro” e passar antes, criando uma certa imprevisibilidade quanto à certeza de passar e levando a uma redução da velocidade. E das poucas vezes em que me “tramaram”, [quando tentei virar para a esquerda porque tinha um carro parado à minha frente], quem estava ao volante era uma mulher. Estou eu muito bem a assumir aquilo que se passa à nossa frente, em que passa um de cada vez e vejo um carro [com uma mulher ao volante], a acelerar e a encostar-se ao carro da frente para não me deixar passar. Claro que eu fico com o meu sistema nervoso em alta rotação e só me apetece adormecer a cabeça em cima da buzina por uns segundos, para a senhora perceber que é uma besta. E isto leva-me a pensar noutras situações em que as senhoras estão ao volante. É engraçado que não me lembro de uma única vez ver uma senhora bem disposta, quase com aquele ar infantil que os homens fazem, a fazer um sinal para o outro carro passar só porque está bem disposta com a vida. É algo muito habitual nos homens. Quer sejam homens para outros homens, como quem diz, passa meu amigo, és um gajo porreiro, quer seja homens com mulheres, do género, sou um cavalheiro e podes passar, minha querida.
Quando quem está ao volante são mulheres, só as apanho sisudas, mal dispostas, quase vingativas, e têm essa atitude tanto para com homens como para com mulheres. Passadeiras, também são algo que está lá para colorir o chão da estrada, porque de cada vez que estou à beira de ser atropelado lá vem o rosto sisudo de uma mulher. Sei que estou a generalizar, mas é de facto esta a minha experiência pessoal. Mas agora o que me intriga é a razão disto acontecer. Será uma questão antropológica, em que as mulheres depois de terem cedido durante tanto tempo aos homens sentem agora a necessidade de ter uma reacção exactamente inversa? Mas aí, porque seriam assim também para os seus pares mulheres? Será porque também aí sentem necessidade de saírem airosamente vitoriosas para chamar a atenção dos machos? E se assim for, onde é que eu meto as lésbicas no meio disto tudo? Ou será que elas conduzem de forma diferente? Tenho que averiguar esta situação com mais atenção. Entretanto, vou gerindo como posso esta situação de partilhar a estrada com estes seres estranhos…

segunda-feira, abril 13

Não sou muito destas coisas...

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Mas ontem ouvi uma frase que gostava de partilhar.

"Tão ou mais importante do que ter respeito para com os outros, é termos respeito por nós próprios"

terça-feira, abril 7

Do's and Dont's

Sempre tive e acho que ainda tenho uma certa capacidade de desfasamento entre aquilo que era o entendimento comum um relação a um determinado tema e aquilo que era o meu próprio entendimento. Não se trata de fazer um pé de guerra nem de hastear uma bandeira, trata-se apenas de tentar perceber mais a fundo os temas para depois ter uma opinião mais sustentada. Um exemplo disso é a escolha das árvores de Natal naturais versus em plástico. Sou a favor das árvores de Natal naturais. Por várias razões. A primeira tem a ver com o facto de para as termos por altura do Natal ter de existir espaços de cultivo de pinheiros. Parece-me interessante ter terrenos ocupados por espaços verdes onde os pinheiros processam o dióxido de carbono gasto, por exemplo, a produzir árvores de Natal em plástico. Por outro lado, está provado que uma árvore jovem tem uma capacidade de absorção de dióxido de carbono superior aos seus exemplares em adultos. Donde, não me choca nada a questão do seu desbaste em idade infantil. Faço obviamente um parêntesis para a situação de abate selvagem de pinheiros em zonas protegidas, mas aí o que existe é falta de fiscalização. Escrevo isto apenas para exemplificar as frases do início.
Voltando ao tema inicial, para além de tentar ter uma ideia própria sobre os diversos temas, muitas vezes tenho também a capacidade de assobiar para o lado quando determinadas evidências não me são interessantes. Quero com isto dizer que sabendo que deveria fazer determinadas coisas, ou pelo inverso, que não deveria fazer determinadas coisas, faço-as ou não as faço, respectivamente, conseguindo não me penalizar ou ter problemas de consciência sobre essas minhas atitudes menos correctas.
Por exemplo, andar na faixa do BUS é evidentemente errado, mas eu de vez em quando estou lá batido e acarreto todas as responsabilidades que possam daí advir.
E aqui chego onde queria chegar. Tenho conseguido criar uma certa barreira aos lugares comuns que um ser que vive em sociedade é constantemente levado a seguir. Mas é cada vez mais difícil. E é cada vez mais difícil pôr de lado os problemas de consciência com que eu fico por não as acatar. E o culpado é a publicidade. E também o meu cansaço. Então não é que agora dou por mim a olhar para os reclames e a pensar que devia estar a aplicar o produto para o retardamento da calvície, o líquido para as gengivas, o iogurte que regula o trânsito intestinal, os métodos de Pilates para pôr a minha postura corporal em condições, as refeições light sensaboronas, o adoçante no café, o leite com ómega3, a manteiga baixa em colesterol, etc, etc.
Dou por mim a pensar que devo ser um ser mesmo muito pouco exigente consigo mesmo por não ser capaz de levar uma vida mais saudável, mais responsável.
E o problema está na publicidade. Com as frases como seja responsável, beba com moderação, como é que eu a seguir a beber uns copos a mais posso ficar bem disposto com o resultado? Ou então as Formas Luso, que dizem para começarmos o ano naturalmente em forma. Ou a manteiga Becel, que nos pede para amarmos o nosso coração. Ou então a Actimel, que me ajuda a reforçar as defesas naturais. Ou os colchões Colunex, os únicos que me podem dar uma boa noite de sono…
Eu sempre consegui manter a cabeça fresca e arejada e dar o devido valor ao que se ouve à nossa volta mas às vezes é difícil fazer esse exercício. O Mundo não seria melhor se obrigassem a uma revisão dos conteúdos da publicidade? Mas quem são eles para falar de responsabilidade? Quem são eles para me dizerem que eu não tenho comportamentos saudáveis? Pedi-lhes alguma opinião? Bom, era só um desabafo!

terça-feira, março 31

O mar revolto ou a beleza dos recifes

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Depois de mais umas emoções fortes, parece que o mar começa a amainar novamente. Esse mar sábio que sabe sempre revolver os mais inacessíveis recantos da flora marinha, desbastando-a com violência, e livrando o acessório, deixando apenas o essencial de cada ser. Para depois transformar tudo em espuma que fica a ressequir na areia sob um sol escaldante de meio-dia.


E, novamente, toda a flora marinha inicia o seu processo de regeneração natural na expectativa de que um dia aquele mar violento e revolto se transforme num paraíso natural, digno dos recifes mais belos do planeta. Daqueles onde a água é clara, transparente mesmo, onde existe imensa cor e harmonia, e onde tudo parece estar em paz, como o Mar da Tranquilidade, que fica na Lua, e que apenas de tempos a tempos recebe visitas de seres humanos, sem que nada permaneça diferente.

quarta-feira, março 4

Avó

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Passaram agora pouco mais de 2 meses desde a morte da minha avó. Até há bem pouco tempo ninguém tão próximo de mim tinha falecido. Era uma morte anunciada e tivemos todos muito tempo para maturar a ideia da sua partida. E quando fui informado, estranhamente, pareceu apenas o culminar de uma sombra que me ocupava o pensamento. De facto, e apesar da intensidade que acarreta sempre um funeral e todas as emoções que desperta, pareceu-me que a sua função por cá estava plenamente cumprida e só tenho que estar grato por ela ter sido a minha avó. Não tenho sofrido com a ausência dela ainda que não me importasse de a rever. Todas as vezes que me lembro dela fico com uma sensação de conforto e de paz interior. E às vezes quando estou com dificuldade em adormecer basta lembrar-me dela para adormecer em poucos segundos.

Numa outra forma, desta vez espiritual, a minha avó estará sempre comigo e ela estará onde sempre quis estar. Junto a Deus que ela tanto venerou em vida e que tanta sorte teve em tê-la de volta!

segunda-feira, fevereiro 9

Hamburgo

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Estou agora numas mini-férias em Hamburgo! Sim, está frio mas a cidade está bem preparada para este clima. Além disso tem óperas a 4 euros, o que é uma oportunidade a nao perder!


Aqui fica uma imagem do porto de Hamburgo.


sexta-feira, dezembro 19

Confusão na estrada!

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Há certas coisas que não batem certo no código da estrada. E refiro-me à anormalidade que é não haver um sinal que nos diga num cruzamento se estamos numa estrada com prioridade. Era tudo tão mais fácil. Senão vejamos: estamos muito bem a circular numa via e a certa atura aparece uma estrada vinda da direita; aparentemente temos de dar prioridade a não ser que essa estrada tenha um triângulo de perda de prioridade. E como é que um ser com as limitações físicas de qualquer ser humano adivinha que existe por lá um triângulo? Há várias teorias. Umas vezes é o conceito de estrada principal, onde desagua uma segunda via que em principio tem por lá um triângulo. Acontece que a densidade populacional vai-se alterando e aquela estrada mais secundária acaba por ter um trânsito maior que a principal e maravilha das maravilhas, não tem lá nenhum triângulo.
Existe depois um segundo conceito que é o pressuposto de que a pessoa que vai a conduzir na via principal já passou pela via secundária que vem da direita e por isso já sabe da existência ou inexistência do triângulo.
Agora convenhamos, não era muito mais fácil manter os triângulos e acrescentar um sinal que nos indica a existência de prioridade na estrada em que circulamos?
É que no meu curto caminho para o trabalho existem duas situações do género em que há sempre umas grandes apitadelas ora porque não se deu prioridade ora porque se dá e o carro de trás não sabe que ela é devida.
Pelo que sei existe um sinal no código da estrada que nos diz da existência de prioridade na via em que circulamos mas raramente é utilizado.
Não seria sensato a bem de um maior civismo na estrada colocarmos sinais destes?

sexta-feira, novembro 28

Momentos...

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Mesmo neste Inverno profundo em que estamos mergulhados, não dispenso umas boas imperiais de final do dia ao ar livre e em agradável companhia.
Ontem estava uma noite de frio cortante e os meus pés quase congelavam. Mas o meu estado de ânimo estava completamente aconchegado ao sabor de uma conversa descontraída e animada com uma mulher extraordinária.
O espaço foi a esplanada da Cinemateca e a magia prolongou-se ao longo de duas saborosas horas.
Valeu!

quarta-feira, outubro 15

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Acho que não vai ser tão cedo que esta ideia me vai abandonar. O mais importante da vida são os amigos. Ao longo da vida tenho ouvido que só podemos contar em última análise com a família. Que essa nunca nos abandona. Que é ela que nos conhece bem e que nos entende ainda melhor. Eu tenho uma relação razoável com a minha família mas onde me sinto como peixe na água é quando estou com os meus amigos. É a eles que conto a minha vida, é com eles que me divirto, é com eles que gosto de estar. Sempre me disseram que à medida que o tempo passa a família ganha uma importância maior e os amigos um valor mais secundário. Não tenho sentido isso e pelo andar da carruagem não acho que venha a sentir. Quanto aos amores, vão e vêm. O ideal é que venham e fiquem. Mas também é necessário que não sejam claustrofóbicos. Pelo que já percebi a minha vida terá sempre um tempo importante para os amigos.

Obrigado a todos os meus amigos. Espero que não encontrem os amores das vossas vidas, que não tenham uma ligação especial à vossa família e acima de tudo que tenham um belo tempo de qualidade para os vossos amigos.

segunda-feira, setembro 15

Mad...

Num final de Domingo recheado de alguma expectativa, lá fui eu e mais outras 70 mil pessoas rumo ao Parque da Bela Vista ver aquele que seria o espectáculo do ano – Madonna.

De uma forma geral o espectáculo cumpriu, na medida em que foi o mais grandioso a que assisti até agora.

Mas tinha muito a ganhar se fosse possível à maioria das pessoas ter acesso visual ao palco e não apenas aos ecrãs gigantes que estavam instalados.

Isto aconteceu porque a artista decidiu ficar à altura dos espectadores e colocar o palco com 1 metro de altura. O efeito foi precisamente o contrário e apenas na zona em frente ao palco era possível vê-la.

Ou seja, o Parque da Bela Vista não passou de um eufemismo de mau gosto…

Mas de qualquer das formas valeu muito a pena!

quarta-feira, setembro 3

And so it begins




Acabadas que estão as férias, é tempo de voltar a assentar nas rotinas de sempre. Não me parece que as férias tenham contribuído em nada para fazer uma avaliação geral do estados das coisas – das minhas coisas - que pudesse levar a que eu fizesse alterações ao meu estilo de vida. Mas acho que a mim se junta a maioria das pessoas que acaba por não ter muito tempo para avaliar as suas opções de vida, formas de estar, de agir, de comportar, de reagir. No fundo isto é tudo uma neverending story e se para uns estar igual é muito bom, para outros estar igual é estar na mesma e isso só se aceita a uma lesma.
E eu lesma sempre fiz questão de não ser mas está a parecer-me que estou num belo de um período lesmático, que a principio foi quase imposto por mim mas que por esta altura já me parece ser por tempo demasiado.
Mas sinceramente não estou a conseguir identificar que partes de lesma quero manter e que partes de lesma quero ver desaparecer.
Neste momento sinto-me uma lesma no seu todo. Um animal amorfo, lento, pegajoso, sombrio e escorregadio.
Quero por rapidamente uma carapaça de caracol e sair para um relvado à beira de uma piscina mas tou a ver se ao sair não levo uma pisadela em cima.
Vamos lá ver se arranjo um bom spot de entrada!

terça-feira, julho 29

Quero mesmo...

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Quero esquecer-me do despertador e relembrar-me do despertar em silêncio;


Quero sentir a pele queimada pelo Sol e deixar o branco esquálido das luzes artificiais;


Quero recuperar a elasticidade do meu rosto e o brilho dos meus olhos;


Quero ter o dia inteiro só para mim e para os meus amigos;


Quero acalmar e ter a calma à minha volta;


Quero levitar para um destino incerto e não me sentir arrastado para o dia a dia certo;


Quero porque quero… as minhas férias.

segunda-feira, julho 7

Você sabe usar uma casa de banho?

Este é um post bastante dispensável. Mas gostava de partilhar convosco a minha indignação em relação a um tema que nos acompanha durante toda a vida. O tema da má utilização das casas de banho. Ao longo de todos os dias da nossa vida somos obrigados a cumprir com as nossas obrigações mais básicas – as chamadas necessidades fisiológicas, que na pirâmide de Maslow representam as necessidades mais básicas de qualquer indivíduo. Não podendo passar sem elas, somos obrigados a cumpri-las.
E dentro destas, há umas que se fazem na casa de banho.
E as casas de banho de uma foram geral são espaços comuns, partilhados pelo mais variado tipo de pessoas. E essas pessoas, arrisco a avançar, dividem-se em dois grandes grupos: as pessoas porcas e as pessoas limpas.
Indo mais fundo no tema, aquilo a que eu chamo pessoas porcas são pessoas que fazem as suas necessidades e no máximo lembram-se de puxar o autoclismo.
Esquecem-se sempre de avaliar a necessidade de desenvolver mais algum processo – porque na sua opinião, aquilo que iam lá fazer já está feito e quem aí vem não interessa.
Esquecem-se de olhar para o tampo da sanita, para saber se ficou limpo e sobretudo esquecem-se de olhar para a sanita, para saber se não ficou toda semeada de excrementos. E claro, estas pessoas nunca ouviram falar de um piaçaba.

E o mais incrível é que se encontram pessoas porcas de uma forma transversal a toda a sociedade, dos mais variados estratos sociais, idades, profissões, locais, etc.

E acho que só continua a permanecer esta população de gente porca porque não existe fiscalização. E nesse aspecto, acho que alguma coisa devia ser feita nesse sentido. Não faço ideia como mas acima de tudo não me apetece ter de conviver o resto dos meus dias com pessoas destas. A sério que não me apetece.

Tinha pensado que se calhar uma boa pergunta a fazer nas entrevistas de trabalho seria: “Você sabe usar uma casa de banho?”.

Por mais absurda que pudesse parecer a pergunta, ganhávamos em duas coisas: tínhamos as casas de banho mais limpas e estávamos rodeados de pessoas que tinham respeito umas pelas outras. Se calhar este pode ser a pergunta que falta nos processos de recrutamento de muitas empresas….

terça-feira, junho 3

New York Mood


Na quarta-feira, pelas 6h da manhã, estava a chegar ao aeroporto de Lisboa vindo de Nova Iorque.

Percebi muito bem o porquê do fascínio que as pessoas sentem por NY. Aquela cidade é mesmo absorvente.

As ruas estão numa grande parte da ilha de Manhattan perfeitamente definidas em ruas e avenidas que se entrecruzam e na qual qualquer pessoa que se ache um zero à esquerda em sentido de orientação teria dificuldade de se perder.

No meio da ilha existe um enorme parque lúdico – o Central Park – onde todos os dias os americanos vão praticar as suas actividades desportivas ou simplesmente apanhar uns banhos de sol.

Existe um extraordinário sentido de poupança e rigor na aplicação do orçamento da cidade já que apenas se vêm obras quando elas são estritamente necessárias, ou seja, têm um metro a cair de podre mas funcional, têm casas de banho feias e deslavadas mas funcionais, têm ruas todas iguais mas funcionais.

Não gastam dinheiro à toa nem a bem de determinadas empreitadas feitas para amigos, como tão bem se vê acontecer na nossa cidade.

Há uns tempos lembro-me de ouvir falar o Santana Lopes, quando estava na Câmara de Lisboa, dizer que queria reformular a Av. da Liberdade. Isto em Nova Iorque era impensável. Não há nada de errado na Av. da Liberdade. E se houver, há muitas coisas mais erradas noutros sítios. Enfim...

Outra coisa que salta à vista em Nova Iorque é a miscelânea racial. É mesmo incrível ver a diversidade de raças que existe naquela cidade. Acho mesmo que o tema racial deixou de ser tema porque todas as raças estão em minoria naquela cidade. Não há raças em maioria. Há brancos, pretos, amarelos, africanos, europeus, asiáticos, africanos. Há de tudo. E tudo em perfeita harmonia.

Mas acima de tudo o que eu mais gostei de Nova Iorque foi a segurança que senti ao andar nas ruas. Não há pura e simplesmente crime. Não senti medo nenhum. E estamos a falar de 8 milhões de pessoas que por ali vivem.

segunda-feira, maio 19

A beleza dos números...

Faltam exactamente 2 dias, 21 horas e 30 minutos para eu estar por 9 horas a 11 km de altura a viajar para um local a 5424 quilómetros de distância.

sexta-feira, maio 16

Tired




Há já algum tempo que não escrevia no blog, ainda que esteja a cumprir aquilo a que me obriguei – no mínimo um post por mês.


Na verdade, o que aconteceu é que estive em mudança de casa, e essa experiência ainda que prazenteira deixou-me bastante mole. Para além disso, não tenho tido ideias luminosas para os meus posts. Mas cá fica mais um para a posteridade, e para manter a minha promessa. Espero em breve voltar a estar mais inspirado e começar a escrever com mais regularidade.


De resto, não pensem que não ando a espreitar os vossos blogs todos e agradeço-vos muito continuarem a escrever nos vossos, que eu gosto sempre de acompanhar.

sexta-feira, abril 4

A vista do meu trabalho...

Na empresa onde trabalho não se pode fumar nas instalações. Desta forma, todos os dias sou forçado a descer ao piso térreo e matar o meu vício por ali. Os escritórios são numa perpendicular da Av. da Liberdade, e é aí que todos os dias dou uma de sociólogo a estudar o comportamento do meio.

Existem naquela vista um conjunto de personagens diárias. São eles o senhor do quiosque dos jornais, uma ou duas raparigas dos países de leste a vender o mítico Borda-d’água, um senhor que vende a revista Cais, as pombas, as árvores e eu e outros a fumar.
Basicamente tudo se resume a isto.

A forma como tudo se interrelaciona é muito interessante. A miúda ou miúdas do leste são melhores amigas do senhor da Cais. É como se fosse um irmão mais velho delas. Fartam-se de rir uns com os outros.

As miúdas de leste são extraordinariamente insistentes com os condutores dos carros, e por vezes mal educadas, batendo nos vidros para chamar a atenção e metendo a cabeça dentro dos carros. As pessoas dos carros não costumam gostar delas com excepção de um carro que lhes deixa sempre uns bolos num saco de plástico à tarde quando passa para elas comerem.
O senhor da revista Cais tem bons amigos aqui por estes lados. Nem tem que se esforçar a fazer a ronda aos carros. Basta levantar a revista e esperar que os carros amigos o chamem para fazer a sua venda.

O senhor do café é o entertainer de serviço. Muitas pessoas conversam com ele numa base diária, à medida que dão uma olhadela no jornal Record, 24 Horas e outros que tais. Tem também sempre algum pão para as pombas que param por ali, já habituadas à sua generosidade. No acto de alimentar as suas pombas, faz questão de privilegiar as pombas com alguns ferimentos, como é o caso de uma castanha que aparece por lá frequentemente, que tem uma pata disfuncional.
As árvores são outro dos personagens desta vista, já que para além de apontarem a passagem das estações, com os seus novos rebentos verdejantes, deixam também cair umas sementes das suas bagas, que as pombas muito apreciam.

De resto, há sempre as restantes pessoas que descem para fumar, e que conversam entre elas sobre os mais variados temas. E era isto que tinha hoje para contar…

quarta-feira, março 26

São tão a favor da Ambiente, sei lá!

Durante uma recente viagem de metro, vi mais um daqueles anúncios que qualquer empresa gosta de fazer. O Metro de Lisboa anunciava que deixariam de existir bilhetes em papel, o que segundo eles tornava a empresa Metro de Lisboa ambientalmente muito mais responsável.

As mudanças impostas pelo Metro de Lisboa definem que, a partir de agora, para se comprar um bilhete de metro é necessário comprar um primeiro cartão de papel (curioso, não!), que pode depois ser reutilizado para o carregamento das viagens. A compra desse cartão recarregável, com sua banda magnética incorporada, custa uns bons € 1,60 (não sei exactamente se este valor que atirei está certo, mas basicamente é o dobro de uma viagem normal). A partir dessa primeira compra, pode carregar-se o bilhete aos valores de bilhetes normais, por volta de €0.70.
Acontece que por definição, quem anda de metro com alguma frequência utiliza passe. Nos casos de passageiros que só ocasionalmente andam de metro, as compras de primeiros bilhetes são a maior fatia (a não ser que guardem religiosamente o bendito cartão magnético para viagens futuras), pelo que ao tomar esta medida o metro de Lisboa potencia em muito as suas receitas neste tipo de clientes ocasionais - porque cobra mais por bilhete.
Desta forma, o Metro de Lisboa engorda os cofres e finge que tomou esta medida a pensar no Ambiente.
Da mesma forma o fazem gisásios e hotéis, quando pedem aos seus clientes para minimizarem o desperdício no consumo de água, ou reduzem as temperaturas máximas dos banhos, quando se sabe que estas medidas reduzem os custos a estas empresas.
Acabam por se tomar apenas as medidas ambientalmente responsáveis que ainda assim são uma vantagem para a empresa. O que no fundo não tem nada de mal. O que está mal é dizer que as fazem exclusivamente por terem preocupações ambientais.
Com o estacionamento pagos nas cidades passa-se exactamente a mesma coisa, ainda que neste caso o tema não seja o ambiente. Com o objectivo aparente de ter preocupações em racionalizar e ordenar o estacionamento nas cidades, muitos presidentes de Câmara adoptaram estas soluções para as suas cidades. Mas alguém acredita que foi essa a motivação? Se o objectivo não fosse aumentar as receitas municipais, porque raio é que eu nunca ouvi falar de nenhuma Câmara que resolvesse doar os lucros provenientes das cobranças em estacionamento para instituições de solidariedade?
Mais uma vez, não acho errado tomarem-se medidas ambientalmente responsáveis.
Acho sim é que as empresas devem ser transparentes nas suas verdadeiras motivações.
Por outro lado, acho também importante as empresas fazerem boa e verdadeira publicidade dos seus projectos ambientais. Não sou adepto de teorias como a de um artigo que li no jornal Oje que dizia que as boas acções devem ficar silenciadas.
Pelo contrário, no que toca ao ambiente é bom que as empresas divulguem as suas acções, para que os consumidores possam ter informação na altura em que tenham de optar pelas diversas empresas. E tem o efeito dominó de outras empresas não quererem ficar para trás.
Resumindo, empresas ambientalmente responsáveis sim, mas também transparente na transmissão das suas mensagens.

quarta-feira, março 5

O que é a droga?




Adoro o Bairro Alto. Costumo passar por lá quase todas as sextas e sábados. Gosto de toda a sua envolvente boémia, miscelânea de tribos urbanas ambiente descontraído. Mas há coisas que por lá se passam que me fazem alguma confusão. De entre elas, o porquê de em cada esquina dar de caras com 2 ou 3 traficantes de droga.

A pergunta que se coloca é a seguinte:


Será que eu tenho cara de drogado e por isso em cada cruzamento me perguntam se quero haxixe ou exctasy?

Não me parece. E não me parece que perguntem só a mim. Acho que perguntam a toda a gente. E não são propriamente as pessoas mais discretas do Mundo…

Dito isto, concerteza que qualquer polícia à paisana devidamente disfarçado será bombardeado com ofertas de droga a bons preços.

E se assim é, porque é que ninguém faz nada (leia-se, porque é a Polícia não faz nada)? Para mim há várias explicações…

Uma delas pode ser uma espécie de acordo tácito entre a polícia e os traficantes, em que os primeiros não incomodam e os segundos garantem alguma segurança no Bairro. Ou pelo menos a manutenção dos actuais níveis de insegurança, ao estilo: podemos roubar mas prometemos não exagerar, ok?

Outra pode ser o facto de a Polícia concretamente não ter matéria para acusar os traficantes, que coitados, até só tinham droga para consumo próprio e aquilo não passa de um sustento adicional para a família que vive em condições de extrema pobreza. Estranha-se é o facto de consumirem essa droga para consumo próprio sempre na mesma esquina e sempre entusiasmados em meter conversa com qualquer transeunte que por ali passe.

Outra das explicações é a de que a droga é uma ilusão e que isso é coisa que não existe.

Perante os largos anos em que esta situação se vive, e a bem da minha sanidade mental, estou cada vez a creditar mais na última opção!